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Mantra Muzak

Mauricio Salles Vasconcelos

O jogo criado entre mantra e muzak deixa ver o dado da repetição imanente à teatralidade, à medida que acentua a máquina de dispositivos e signos os mais diversos em suas renovadas récitas. Reengendra, com o clamor da urgência, as poéticas de teatrólogos como Isabel Câmara e José Vicente, como também o itinerário teatral da atriz Maria Della Costa. Concebe o desenho de vida-arte legado por Jean-Luc Godard, em um ato desenrolado entre a performance e o take fílmico. Algo que também se estende ao cinema de Yasujiro Ozu. Criam-se, em Mantra Muzak, texturas convulsivas dos embates acerca de política/ativismo depois do vírus fascimiliciano no Brasil (motriz da peça Convalescença). Contornos de coreografia e canto (tal como propõe Sônica) modulam andamentos de música eletrônica nos seus incontáveis ciclos e reciclagens. Em Andarilha, mostra-se mais vivamente a errância da busca de tempo e lugar, que permeia os demais textos numa variedade de focos, de ritmos, da musicalidade mesmo, através de peregrinações intermináveis, extremas caminhadas urbanas e joggings confrontadores. O teatro acelera um corpus verbal na mesma gradação em que incita a pausa reflexiva, a meditação – o intervalo corpóreo-gestual da cena –, a contar do mecanismo da repetição, inerente ao rito teatral. Ao compasso da vibração intercambiante do devir-teatro, do teatro em devir.

Coleção

Ambulante

Ano

2024

Preço

R$60,00

Nº de páginas

266

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